quinta-feira, 12 de julho de 2007

Aprendiz de Cozinheira (ou será de Feiticeira??!)

Minha Tia Naná é um desses seres raros, de sorriso no rosto e de uma generosidade capaz de emocionar qualquer pessoa.
Daqueles que se doam por completo, sem esperar recompensa.
Tem um coração de ouro!!
Sua casa está sempre arrumada e com um bolinho pronto esperando a visita chegar...
Não há como não gostar do seu jeito sincero e ingênuo de ser...
É mais muleca que mulher, é a caçula das tias e uma quase irmã mais velha para mim.
Por culpa dela, comecei a me aventurar desde cedo no aconchego da cozinha e não demorou muito para eu pegar o gosto pela coisa.
Nossos encontros tem sempre o gosto combinado de cozinha e alegria, porque quando nos reunimos, relembramos experiências e nos divertimos rindo de nós mesmas.
Minhas primeiras lembranças gastronômicas vêm sempre acompanhada de imagens inesquecíveis dela preparando bolo e brigadeiro para nós, sobrinhos (todos em volta do balcão da cozinha), seguidas das disputas de panelas sujas, com o "mais precioso resto de bolo e brigadeiro preso ao fundo e às laterais" (iguaria sem igual!!!).
Desde aqueles tempos descobri que ao mais esperto lhe era dado o direito de ficar com a melhor parte...Motivo pelo qual disputávamos como troféu as raspas de panelas e não arredávamos os pés da cozinha enquanto a receita não estivesse pronta! Nunca se sabia qual dos três levaria o troféu...
E das histórias de nossa cozinha, minha imaginação voou e fez associação imediata com os bolos...
Ainda hoje, quando penso em bolo, vejo minha tia.
Pra mim, bolo tem a cara dela (ou será o sorvete??! seu prato preferido...).
Se ela fosse uma comida, com certeza seria um bolo... Sua marca registrada.
E eu, pequena (que sempre fui), ficava observando suas mãos mágicas tranformar ingredientes insípidos em uma deliciosa e alegre brincadeira.
Hoje, posso dizer que fui uma aprendiz de cozinheira, ou será de feiticeira??!: que dava ao amor a forma de comida.