segunda-feira, 16 de março de 2009

WELCOME !!!

Minha cunhada, que mora nos States, veio com a família e uma amiga passar uns dias conosco para matar a saudade. Trouxe muitos presentes e nos deu a honra de oferecermos um almoço de boas vindas logo que chegou por aqui.
No cardápio, o prato principal escolhido foi camarão (que eles adoram, e assim, eu não corria o risco de errar).
Sai com o marido para comprar os bichos ainda frescos na balança e, de fato, os camarões com casca e tudo estavam uma beleza de fresquinhos, mas, como minhas visitas, chegariam em apenas 4 horas e levando em consideração que eu ainda tinha os acompanhamentos e a arrumação da casa por fazer, decidi investir nos filés (mesmo que custando o dobro), que já vinham prontos e era só esperar o tempo certo para preparar o prato em alguns minutos. Estavam todos bem graúdos e mergulhados em gelo para resfriar. Foi aí que eu dancei. Preocupada em chegar em casa, colocar a bebê para mamar, para dormir e ainda dar conta de tudo, meti os bichos na geladeira e fui cuidar do resto. Já eram 10h da manhã e eu precisava acelerar os trabalhos.
Corro daqui, corro de lá, e ao meio dia resolvi retirá-los da geladeira para começar a preparar o prato. Pra minha surpresa, ao abrir o saco, senti um cheiro desagradável entrar pelas narinas e tocar o alarme de perigo na minha cachola.
- Não, não,... deve ser só impressão... (custava eu acreditar no que estava acontecendo...)
- Cheirava mais um pouco e o alarme tocava novamente: Tá estragado!! eu pensava...
- Não, não é possível!!
- Zefa, vem aqui. Cheira esse camarão e me diz o que tu acha.
- Dona Ana, pra mim, tá bom, porque são duas coisas que fedem: peixe e camarão.
- Pra quê que eu fui perguntar?!
- Agora um dilema rondava a minha cabeça: será que está estragado mesmo ou eu tô com neura nesse negócio de cheiro?!
- E se eu jogar isso tudo e não tiver estragado?!
- E se eu não jogar, o povo comer e depois parar todo mundo no hospital por minha causa?! (Levando em conta que eles tinham uma bebê de 1 ano e meio e uma amiga americana, com estômago estrangeiro e que talvez não fosse suportar uma infecção causada por crustáceo)
Titubiei, titubiei mais um pouco e fui em frente.
Os bichos não estavam completamente limpos, ainda restava retirar as tripas e isso levaria tempo, e pra não dizerem que não persisti, fui até o fim.
Camarões livres de cocôs e de bumbuns limpinhos (normal pra uma mãe que limpa bumbum de neném 24h por dia, o que seriam bumbuns de camarão?! Café pequeno.)
Começo a fazer a receita: Camarões ao Thermidor, era o prato. Aí, paro, penso e mais uma vez o fantasma do cheiro forte me acusa o juízo, melhor não... já pensou se a estrangeira tentando se comunicar, começa a falar "camaron tem-mim-dor" avisando que tá com uma baita dor de barriga e nós do outro lado: isso, isso, prato francês camarão a thermidor, muito bom, very good!!
Ai, ai, não gosto nem de pensar...
O impasse era grande, de um lado, uma vontade louca de satisfazer meus convivas com um prato que eles adoram e que, provavelmente, ansiavam por devorá-lo uma vez que a propaganda foi grande. De outro, a preocupação de alguém adoecer por minha culpa. Medo, muito medo.
Ao terminar de refogar todo o camarão, não me restavam dúvidas, estava estragado.
Liguei para o marido e coloquei em prática o plano B. Comida pronta para completar o que estava faltando, a outra parte do plano B era voltar na balança e esganar o pescoço do infeliz que me vendeu o camarão com sorriso no rosto, afirmando que tudo tava "fresquinho, fresquinho". Ô ódio...!! Mas, essa parte o marido-ajuizado não deixou eu executar não...
Comprado a comida pronta, terminado a arrumação da casa e o restante do almoço, foi só esperar o pessoal chegar e contar toda a história.
No fim tudo deu certo... Entre mortos e feridos, todos comeram felizes e satisfeitos e não tivemos que ir para o hospital. Que alívio!!!